O que é, de fato, ser maleável?
Quanto se pode mudar e adaptar ao meio sem perder sua essência?
Por que as pessoas tem tanto medo de mostrar o que realmente são?
Nós lidamos constantemente com a argumentação do “Ter para Ser”: Tenha um corpo bonito, uma aparência impecável, coisas caras e exclusivas… Tenha tudo isso e muito mais se quiser ser amado de verdade.
Qual é o problema conosco e como chegamos nesse ponto?
“Ter para Ser” não se trata de uma mera manifestação dos valores da atualidade, mas também de uma distorção de realidade interpretada. Em algum momento no meio do caminho, nossos cérebros entraram em curto e passaram a aceitar padrões de nível discutível. Popozudas, cachorronas, fodões, beberrões, drogados, racistas, extremistas, causadores de caos desnecessário.
Em um conversa de jantar dia desses, um amigo me deu uma explicação fantástica sobre inversão de polaridades, campos magnéticos, astrologia e coisas assim. Dizia ele que, em eras anteriores, o homem buscava o “Ser ou Não Ser” e o conceito de humanidade.
Então onde estamos hoje? Quais as reais dúvidas? Qual é a busca da vez?
Temos uma quebra de limites e uma invasão de espaço que surgiu da afirmação de evolução através da tecnologia. Inventamos câmeras, computadores, internet. Estendemos nossa expectativa de vida, causamos doenças, trouxemos curas. Travamos guerras sem motivos aparentes, nos afogamos em egoísmo, morremos trabalhando para conseguir mais dinheiro para ter mais coisas. Surgiram novas maneiras de se aproximar, mas jamais temos tempo para gastar com as pessoas.
Hoje em dia você não ama se não atende o telefone. Não ama se não manda e-mails,se não tira fotos junto da pessoa, se não muda seu status de relacionamento nas redes sociais. Aliás, você não existe se não está em redes sociais.
Enquanto isso, ainda há fome, violência, brutalidade. Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu acima de todas as coisas.
E aí surgem as religiões, que pregam o bem e a integridade, mas cujos integrantes nem sempre botam os ensinamentos em prática… E aí acabamos com (por exemplo) atropelamentos, brigas no trânsito, em filas, em todo o lugar.
Pregamos o entendimento e enaltecemos pessoas que são, aparentemente, boazinhas, queridas, prestativas.
Foda-se!
E se você simplesmente não gostar de certas pessoas, de certas coisas, de situações? Você é uma pessoa ruim? Eu acho que não. A menos, é claro, que você tenha esquartejado alguém ou coisa parecida.
Eu, você, a tia da padaria e o cachorro na esquina… Todos temos o direito de ser como bem entendemos e ainda assim escolhemos usar máscaras, armaduras, capas, o kit completo. Para agradar aos outros, para conseguir mais, para ser melhor.
O que eu tenho não é suficiente para você?
Não podemos mais esconder nada. Ninguém consegue fazer da vida uma peça de teatro vinte e quatro horas por dia.
Fico imaginando se algum dia eu vou conseguir alcançar um nível de plenitude que eu considere bom. Se no meio de todas essas coisas eu ainda consiga acertar mais do que errar. Ou acertar melhor.
No fim do dia, como nos livrar das amarras imaginárias?
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No fim das contas tudo é em serviço da praticidade e facilidade de existir vida e procriar, essa é a função da tecnologia. O que acompanhou a evolução tecnológica foi o crescimento populacional. Ainda não é igual para todos, essa é a seleção natural, mas o bom do ser humano é que ele não está preso por um destino inevitável, suas chances de sobreviver e passar seus genes adiante pode ser mudado durante seu tempo de vida por motivos externos e internos.
Não se preocupe quando as coisas não estão certas, apenas não deixe que isso faça você parar de mudar, transformar e se adaptar. Um dia nos encaixamos no habitat, nos tornamos o mais forte no nicho que encontramos.
Precisamos apenas deixar nosso genial DNA continuar progressivamente com suas mutações aleatórias de geração para geração para descobrirmos o sentido e seguir em frente. Mas as vezes nada tem sentido… e talvez sejamos apenas bactérias nesse ser azul.