Venho por meio deste blog anunciar a morte de minha amada.
Como eu tenho certeza absoluta que vocês não sabem do que estou falando, aqui vai uma foto da dita cuja e um pouco da nossa história juntas.

Desegraph 0.2 da Trident. Filha única da dona Anita. Sua morte deixa um grande sofrimento em meu coraçãozinho indócil.
Há alguns anos atrás eu decidi, sei lá porque, cursar Design de Interiores. Uma frescura entre Arquitetura e Decoração, mas não diga isso à um designer ou ele fica furioso.
Enfim, era isso. Passei no tal “vestibulinho” da escola técnica e em alguns dias começaria a descoberta.
Seria esse meu futuro? A união perfeita entre artes que eu tanto procurava? Não havia uma resposta concreta, não naquela hora. Tudo o que existia era uma ansiedade louca, uma curiosidade sem fim. Também conhecidos como “empolgação”.
Mal sabia eu que o técnico seria só o meu rito de passagem entre fases. Nunca concluí o curso. Aprendi muita coisa, é fato, mas a principal lição foi: eu odeio Arquitetura.
O material foi absurdamente caro e eu realmente me sentia culpada por ter feito meus pais gastarem dinheiro com coisas que eu não usaria. Ledo engano. Sempre gostei de desenhar e nunca tive materiais que me empolgassem. Afinal de contas, quando não se é profissional, não se vê muita necessidade em investir em materiais.
Mas lá estavam eles: lindos, novos, quase intocados. E durante esses anos eu admito que fiz o melhor que pude para conservá-los. Apesar das pilhas (olha o exagero) de desenhos, ilustras e afins, meu material sempre foi muito bem cuidado. Como prova, minhas desegraphs duram até hoje.
Bem, não mais.
Hoje, no início da tarde (algo entre 14h45 e 15h12), estava sentada no sofá. Péssimo lugar para desenhar, mas estava muito frio e lá é extremamente confortável. O estojo com os lápis e as canetas estava bem ao meu lado. Em minhas mãos, solitária, a pobre Vermelhinha. Minha mãe me chamou, disse que trazia um copo de café fresquinho e que eu deveria me endireitar para pegá-lo. Ao obedecê-la minhas mãos vacilaram naquele momento entre soltar a caneta em um lugar seguro e pegar o copo.
Silêncio. Segundos de desespero. A caneta escorrega e cai bem aos meus pés.
Por detrás de olhos semi cerrados o pedido: “Por favor, esteja tudo bem”. E então, a notícia veio em forma de palavras saídas da boca da minha irmã: “Vixe! Entortou a ponta, olha só!”.
Eu sinto muito, Vermelhinha. Não foi por querer, não mesmo.
Sentirei saudades, minha favorita.
Com muitas lágrimas,
Anita
Tags:acidente, antropologismos, burrice, cotidiano, desastres, design, pessoal
Uma resposta para “Lágrimas de nanquim”