Sabe, Jack… Depois de todos esses anos ainda existem histórias para contar, coisas para explicar e momentos para sentir saudade.
Eu sei que isso é bobo e até infantil. Você nunca me deu uma chance de terminar a história direito então aqui vai. Mais e mais e mais uma vez.
Vaidade é, na minha opinião, um acessório que me falta. Não só no sentido visual da palavra, se é que isso faz algum sentido.
Existem essas pequenas falhas de personalidade em mim que você costumava amar. Algo do tipo “Eu te amo exatamente como você é” até que você, finalmente, quis mudar tudo aquilo.
Eu me adapto sempre que preciso, como fazem todas as criaturas. Mas eu tenho um tempo muito particular e acho que não consegui fazer com que você entendesse.
Sempre gostei da sua maneira de ver as coisas e as suas atitudes diante do mundo. Até hoje gosto mas seria falta de respeito comigo mesma demonstrar toda a admiração. Eu ainda amo cada pedaço de tudo aquilo, pena que doeu demais.
Já não consigo mais rir com tanta intensidade, assistir ao por do sol, passar uma tarde com a família e nem mesmo jogar videogame. Você arrancou de mim todas as coisas que me faziam feliz. No entanto, não sei se posso te culpar completamente.
Era uma fase, eu deveria saber. Estava doente e piorando a cada dia e você foi crucial nesse ponto. Obrigada por me levar ao fundo da doença, não fosse por isso eu… Bem, eu não sei o que teria acontecido. Ainda não consegui sair completamente daquele estado meio inerte, meio insensível, meio mussarela, meio calabresa.
Tudo ficou mais chato, mais complicado. Essa coisa de crescer, virar adulta e tudo mais é muito irritante. Tenho ainda uns dois anos nessa, certo?
Mas o que eu queria dizer mesmo é que sinto saudades das pessoas a quem você me apresentou, da vida que você me deu e tudo que ela trouxe. Só que do jeito que veio, foi embora. Nessas horas eu lembro o quanto te odeio hoje em dia.
Encontrar tantas pessoas queridas em um mesmo momento, assim tão de repente, foi doloroso demais. Eu teria chorado se o dia permitisse.
Eu quero tudo de volta, ok? Meus livros, minhas cartas, meus presentes, minha inspiração, meu amor, minha alegria, minha vida. Devolva-me!
Quero ver a poesia no mundo outra vez. Quero não ter a obrigação de desistir dos meus sonhos mais queridos.
Se você ainda tiver essas minhas coisas guardadas, me liga? Eu só quero buscá-las e tudo mais.
Te amo demais mas quero você morto ou, no mínimo, desaparecido.
Com todo meu coração,
Sua Josie.
PS.: Eu odiava Blink 182. Babaca.
Tags:antropologismos, crescer, seria uma vez, sonhos, Sophia
É muito estranho. Eu tenho o costume de me apaixonar por quem eu não conheço. Foi assim com você. Não sei se é por você ou pelo jeito que você escreve. Simplesmente apaixonante.