Era um grupo grande de amigos, colegas e conhecidos e você se destacava, antes de tudo, pela estranheza. Não era nosso, não fazia parte. Mas não havia nenhuma grande magia à sua volta. Era só diferente.
Eles queriam conversar sobre banalidades, quem conhecia quem e quem dormiu com quem… Onde iriam a seguir e quais os planos para o dia seguinte? Nada que me interessasse. Ou a você, não é mesmo?
Dez minutos de conversa depois e obviamente esquecidos pelo resto da turma, partimos. Naquele momento eu percebi que você conseguiria me convencer a fazer qualquer coisa. E convenceu.
Um jantar, um passeio, uma festa, uma reunião de família, fotos, desejos, um dia após o outro.
Acordar juntos depois de uma noite mal dormida por motivos bem, hmm, “nobres”. Dar risada das diferenças e não estar nem aí pro resto das pessoas, contanto que concordássemos e fossemos sinceros um com o outro. A sua verdade era o bastante pra mim e vice-versa.
Ainda assim, acho que corri algumas milhas a mais que você. Eu sempre corro. Na maior parte do tempo sem nem saber o porquê. E você, como toda pessoa sensata o bastante, se assustou. As coisas ficaram estranhas por um momento e então você sorriu… O sorriso mais bonito e espontâneo que eu vi até então.
Nós aceitamos todas as condições, o tempo, as dificuldades.
Eu tive muito medo de encarar a “derrota” (você me conhece, nunca admito partidas), por isso vesti minhas roupas o mais silenciosamente possível. Tropecei nas gavetas, derrubei perfumes, chutei os tênis e acertei a quina do armário com o dedinho do pé. O jeito escroto de o meu corpo dizer que não queria sair de fininho. Você só deu um ronco leve e virou para o outro lado. A maior ofensa de todos os tempos.
“Estou partindo!” – em alto e bom tom.
“Estou colocando os tênis e abrindo a porta. Estou saindo. Vou embora pra sempre!”- aos berros.
Mais um ronco, uma virada, um braço pra fora da cama.
“Eu te amo, seu perdido” (Em alguma língua que você ainda não conhece e o mais baixo que pude. Meu corpo poderia até não querer partir, mas minha voz não me trairia a tal ponto).
Foram duas despedidas como essa até que finalmente nos separamos.
Eu queria me jogar naquela fila e dizer “Não tirem este homem daqui!” como nas comédias românticas, onde tudo dá certo. Mas era visível: o momento era delicado demais, perfeito demais. Qualquer passo em falso derrubaria uma torre de cartas invisíveis.
Passei as últimas três horas em silêncio. Só te ouvindo falar sobre suas aventuras, suas vontades e o que nos esperava.
Proibições, restrições, tristezas.
Ainda assim, nada mudou. E mais uma vez estamos perto de trazer o irreal para o físico. Transformar distância em piada. Reunidos novamente. Como se os últimos meses tivessem sido tão simples e passado tão rápido que, na verdade, só ficamos uma semana “fora de casa”.
In you I see dirty
In you I count stars
In you I feel so pretty
In you I taste god
In you I feel so hungry
In you I crash cars
We must never be apart
Tags:ano novo, encenação, sonhos